“CPI não terá efeito algum”, prevê presidente da Câmara mesmo com comissão ainda em andamento

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O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado não terá efeito algum. Em entrevista ao jornal O Globo, Lira comparou a pandemia do coronavírus a uma “guerra”, afirmou que “neste momento, a CPI é um erro” e disse que falta uma “circustância política” para a abertura do processo de impeachment contra Jair Bolsonaro (sem partido).

“Neste momento, a CPI é um erro. A guerra está no meio. Como é que você vai apurar crime de guerra no meio da guerra? Como vai dizer qual é o certo? […] No combate à pandemia, não tem receita de bolo pronta. Você não sabe qual variante (predomina), se fica ou sai de lockdown. A CPI polarizou politicamente e não vai trazer efeito algum, a não ser que pegue alguma coisa”, disse.

Lira também defende que não houve atraso na compra de vacinas da Pfizer. Caso o governo Bolsonaro tivesse adquirido os imunizantes antes, diz Lira, “não teria resolvido o problema da pandemia”. Mas não é o que foi levantado pela CPI da Covid. 

Em andamento há quase dois meses, a CPI da Covid investiga as ações e possíveis omissões do governo Bolsonaro na pandemia reuniu diversas acusações contra o governo bolsonarista. O vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), contabilizou 53 emails ignorados da farmacêutica pelo governo federal a partir da agosto sobre as 70 milhões de doses.

Em documento, a CPI revelou que a Pfizer contatou a embaixada do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, em 27 de agosto de 2020 em busca de ajuda para conseguir uma resposta do governo brasileiro sobre a compra de seus imunizantes. 

“Participei das conversas com a Pfizer, numa reunião em fevereiro com o Rodrigo Pacheco, o (Paulo) Guedes, o general (Luiz Eduardo) Ramos e o presidente Bolsonaro. Naquela época, não tinha autorização da Anvisa e achavam que o contrato era leonino. O que dissemos? Se tem dinheiro, se tem empenho, se o mundo todo está assinando esse contrato… Então, faça”, disse.

“Do dia em que a Pfizer propôs ao dia em que o governo fez (o contrato), se não errei as contas, alteraria em três milhões de doses (a mais). É muita dose. Ajudaria muita gente. Mas resolveria o problema da pandemia?”.

O que falta para seguir com o impeachment de Bolsonaro?

Durante entrevista, o parlamentar lamentou as mais de 500 mil mortes por Covid-19 no Brasil. No entanto, ao ser questionado se essa tragédia não seria motivo para instaurar um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Lira afirmou que falta uma circunstância política. 

“A minha função no impeachment é de neutralidade. Não sou eu que faço o impeachment. Você quer dizer que o presidente Bolsonaro não tem voto na Câmara para segurar um pedido de impeachment? Que ele não tem base de apoio popular para se contrapor a um pedido de impeachment? Então, o que é que estão querendo? Que eu desorganize o país, que eu comece uma conflagração de 122 votos que querem contra 347 que não querem? Vocês querem testar? O que a população quer é testar? Acha que é o caminho? Vamos testar”

“O que eu estou dizendo é que o impeachment é feito com circunstâncias, com uma política fiscal desorganizada, uma política econômica troncha. O impeachment é político”, avaliou.

Para seguir com um possível processo de impeachment do presidente da República, Lira reforçou a “falta de circustância”.

“Falta circunstância. Falta um conjunto de coisas. Enquanto a economia tiver em crescimento… Veja bem, não estou faltando com respeito a nenhuma vítima. 499 mil, 501 mil, são todas signficativas como uma vida. Pelo amor de Deus! O que estou dizendo é que o impeachment não é feito só disso”, reforçou.

“Lula é um player importante”, diz Lira sobre eleição de 2022

Sobre a disputa eleitoral em 2022, com Bolsonaro e o ex-presidente Lula no páreo, Lira disse ao Globo que não acredita na possibilidade de uma terceira via.

“Lula é um player importante. Presidente duas vezes. O que eu não acredito é em terceira via. Não tem condição. No Brasil, nunca houve isso. Ao menos depois da volta do voto para presidente. Foi Collor e Lula (em 1989), depois anos de Lula contra o PSDB e a Dilma também (contra o PSDB). E, em 2018, o Bolsonaro substitui o PSDB na disputa com o PT. O PT está sempre lá. Por que não estaria nessa?”.

Como as mudanças na Lei de Improbidade podem afetar processos

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o projeto que altera a Lei de Improbidade, de 1992, com apoio de partidos do Centrão e da esquerda. A proposta, aceita com ampla maioria, impõe prazo para investigação contra atos cometidos por agentes públicos, restringe os conceitos do que pode ser considerado improbidade e insere o nepotismo como um desvio grave e passível de punição.