Dermilson Chagas afirma que depoimento de ex-secretário de Saúde do AM revela o caos da gestão Wilson Lima

Compartilhe:

O deputado Dermilson Chagas (Podemos) afirmou que o depoimento do ex-secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, na CPI do Senado, na última terça-feira (15), demonstra claramente a falta de planejamento e a incapacidade de execução dos programas e políticas públicas da gestão Wilson Lima em todas as pastas do governo, sobretudo nas três principais secretarias: Saúde (SES-AM), Segurança Pública (SSP-AM) e Educação (Seduc).

“O depoimento dele mostra a cara deste governo. Uma pessoa perdida na sua própria administração, sem conhecimento dos fatos, sem saber as datas, sem saber os nomes dos culpados. É um governo perdido. E não está perdido somente na Saúde, porque nós assistimos, recentemente, a crise na Segurança Pública. O que aconteceu na Segurança Pública foi uma aberração inaceitável e, por isso, pedi uma data para o secretário de Segurança vir à Assembleia se explicar e, até hoje, não deram essa data. Esse governo também está perdido na Secretaria de Educação e em todas as demais pastas”, disse o parlamentar, ressaltando que o maior prejudicado com a má gestão de Wilson Lima é o povo do Amazonas.

Deputado denuncia diariamente irregularidades

O deputado Dermilson Chagas já realizou diversas denúncias de irregularidades da gestão Wilson Lima na tribuna da Aleam, dentre elas a compra de ventiladores em uma loja de vinho e que são inapropriados para o uso no tratamento da Covid-19; o contrato sem licitação para o hospital de campanha da Nilton Lins; o contrato sem licitação de aluguel de jato executivo; a falta de estruturação da rede hospitalar estadual durante a pandemia, apesar do Governo do Amazonas ter recursos em caixa, conforme foi apurado na CIP do Senado; a crise de oxigênio que resultou na morte de 31 pessoas; o falecimento de mais de 13 mil amazonenses por infecção do novo coronavírus; os estudantes dos 62 municípios sem acesso às teleaulas; a compra de vacina reprovada pela Anvisa; e defendeu a denúncia da Procuradoria-Geral da República ao STJ sobre atos de corrupção praticados pelo governador Wilson Lima e mais 17 pessoas ligadas a ele.

Além de todas essas denúncias e solicitações, Dermilson Chagas pediu, por inúmeras vezes, que a Aleam desse andamento aos 15 pedidos de impeachment. O parlamentar também solicitou que a Aleam criasse a CPI da Pandemia para investigar fatos relacionados à segunda onda da Covid-19 no Amazonas. E, por fim, a representação formulada pelos deputados Dermilson Chagas e Wilker Barreto (Podemos) responsabilizando o governador Wilson Lima pela morte de dezenas de pessoas durante a crise de desabastecimento de oxigênio em Manaus entrou na pauta de discussões e análises na CPI da Covid-19 no Senado. Os documentos referentes à denúncia feita pelos parlamentares e que integram investigações em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) foram encaminhados no dia 17 de maio, pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, ao presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM).

“Não foi uma pregação no deserto. Isso é resultado de um trabalho incansável de denunciar o que vem acontecendo no nosso estado. Tudo aquilo que assistimos foi assustador e pavoroso”, disse o parlamentar, se referindo às mortes em portas de hospitais e em leitos de UTIs da rede estadual de saúde, além das filas em empresas para compra de botijas de oxigênio e também de denúncias de atos macabros, dentre eles possíveis casos de eutanásia que teriam sido cometidos por médicos em hospitais estaduais.

Gestão Wilson Lima criou governos paralelos

O deputado Dermilson Chagas disse que o depoimento de Marcellus Campêlo revela que os recursos do Estado estão sendo canibalizados. “Hoje, cada secretário está por si, e o Governo também, e existem governos paralelos. E a realidade é esta que eu vou mostrar aqui – disse referindo-se à projeção na tela do plenário – é que o Estado é uma teia de negócios entre amigos”, disse o parlamentar, exibindo dois documentos que comprovam o atual secretário de Saúde, Silvio Romano, era avalista de Marcellus Campêlo e que ambos já tiveram uma empresa.

“A relação do Marcellus Campêlo com o Silvio Romano não é de hoje. E esse é um governo de negócios, um governo de amigos. Saiu o Marcellus do cargo de secretário de Saúde, mas ficou o amigo de negócios. Não melhorou nada, pelo contrário, vai piorar, porque o Silvio Romano não tem conhecimento sobre saúde pública. Além disso, a situação que se vê é que o rei está afastado, mas continua mandando no seu subalterno”, comentou.

Dermilson Chagas disse ainda que ambos utilizaram os cargos para fazer negócios dentro do Governo do Estado. “Ele, habilidosamente, pegou um quinhão da Seinfra (Secretaria de Infraestrutura) e colocou dentro da Secretaria de Saúde para fazer as reformas e ampliação de hospitais”.

Recursos não foram usados para combater a pandemia

O parlamentar também criticou o fato de o Governo do Amazonas ter, comprovadamente, recursos em caixa e não ter feito absolutamente nada para impedir as mortes durante a pandemia, porque não se programou e não aparelhou a rede estadual. Conforme o depoimento na CPI do Senado do ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, o coronel Antônio Élcio Franco Filho, o saldo na conta do Fundo de Saúde do Governo do Estado em 31 de dezembro de 2020 era de R$ 478,1 milhões. Além disso, no ano de 2020, a arrecadação tributária do Amazonas foi de R$ 12,2 bilhões, segundo o Portal da Transparência.

“A falta de planejamento levou a todos esses óbitos porque a falta de oxigênio é uma prova concreta da falta de planejamento. Se eles tivessem se programado, não teria acontecido essa falta de oxigênio”, enfatizou Dermilson Chagas. Ele lembrou que o senador Eduardo Braga foi muito feliz quando perguntou a Marcellus Campêlo, que é engenheiro, qual foi o metro quadrado construído para fazer uma UTI durante a pandemia. “Nenhum! Eles não fizeram nada. Eles foram no hospital João Lúcio e no pronto-socorro 28 de Agosto e pegaram leitos de observação de enfermagem e transformaram em UTI e utilizaram até salas de cirurgias para fazer sala de UTI”, afirmou, lembrando que o hospital Delphina Aziz possuía 300 leitos e que não foram utilizados, para justificar o aluguel do hospital da Nilton Lins.