Dermilson e Wilker protocolam mais um pedido de impeachment do governador Wilson Lima

Compartilhe:

Os deputados Dermilson Chagas e Wilker Barreto, ambos do Podemos, protocolaram, nesta quinta-feira (21/10), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), mais um pedido de impeachment do governador Wilson Lima. Os parlamentares solicitam o afastamento do chefe do Executivo estadual com base no relatório do ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que aceitou a denúncia do governador do Amazonas por formação de quadrilha e outros crimes.

Ele atinge com materialidade toda uma investigação feita pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, agora cabe a esta Assembleia definir um posicionamento, respeitar os votos que teve de seus eleitores, que foi para representa-los, e legislar em favor da sociedade. Se não fizerem isso, será mais uma traição desta Casa com o seu eleitor e com a sociedade. Então, esperamos um pouco de compreensão e equilíbrio que o presidente possa analisar mais um pedido de impeachment, fazer a admissibilidade, fazer um relatório, agora que ele não pode dizer o pedido não tem admissibilidade e materialidade e finalmente julgar o governador e o vice-governador”, justificou Dermilson Chagas.

Dermilson Chagas, que já fez o mesmo pedido em várias outras ocasiões, disse que, desta vez, os deputados estaduais não podem continuar inertes diante de todos os escândalos protagonizados pelo governador Wilson Lima, que, desde o dia 20 de setembro deste ano, passou a ser réu no processo que está em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que investiga a responsabilidade do governador e mais 12 pessoas na compra de ventiladores pulmonares sem licitação em uma loja de vinho.

Na ação, Wilson Lima é acusado dos crimes de dispensa de licitação sem observância das formalidades legais, fraude em licitação por aumento abusivo de preços e sobrepreço peculato e organização criminosa. Dermilson Chagas enfatizou que o que eram indícios se tornaram provas irrefutáveis, ao ponto de a defesa do governador Wilson Lima, Nabor Bulhões, não conseguir derrubar na peça inicial do processo.

Rotineiramente, o deputado Dermilson Chagas cobra da Aleam que os pedidos de impeachment do governador Wilson Lima, que se encontram protocolados na Casa desde o ano passado, sejam aceitos pela Mesa Diretora da Casa para que eles possam, finalmente, tramitar para que o parlamento decida se o chefe do Executivo deve ou não ser afastado permanentemente. Chagas criticou a Casa dizendo que o parlamento mantém uma relação “conjugal” com Wilson Lima e que isso impede que qualquer investigação que envolva a figura do governador seja levada adiante na Aleam.

Vergonha internacional

O deputado Dermilson Chagas enfatizou que a população do Estado se sente, ao mesmo tempo, feliz e envergonhada. Ele explicou que a felicidade é devido ao fato de o STJ ter aceito a acusação contra o governador, uma atitude que era esperada pelas pessoas que adoeceram gravemente durante a pandemia e pelas famílias das 14 mil pacientes de Covid-19 que faleceram por falta dos equipamentos que o Governo do Estado nunca comprou e que poderiam ter salvo todas essas vidas.

Dermilson Chagas disse que a vergonha advém do fato de que o Amazonas novamente, por culpa desta administração, ocupou os noticiários nacional e internacional com mais esse escândalo, que enlameia a imagem de todos os amazonenses.

Aleam se cala diantes dos escândalos

O parlamentar criticou o fato de o Governo cometer tantas irregularidades e a maioria dos deputados da Casa não se manifestarem e nem sequer demonstrar ao menos o interesse de investigar. O parlamentar lembrou diversos episódios de escândalos ocorridos do agora réu Wilson Lima e dos gestores das principais pastas da atual administração.

Na Segurança Pública, Dermilson Chagas ressaltou que a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) não soube dar respostas à crescente onda de violência em todas as zonas de Manaus e, sobretudo, à ação do tráfico de drogas, que aterroriza diariamente não só a capital como também os municípios do interior do Estado.

Na Educação, além de vários contratos irregulares celebrados com empresas suspeitas, Dermilson Chagas destacou a falta de investimento para que as aulas remotas pudessem ser realizadas de forma a realmente prover educação para os alunos. O parlamentar recebeu denúncias de que na maioria dos municípios, inclusive na capital, os alunos não tinham acesso à internet e o programa “Aula em Casa” foi considerado, tanto por pais quanto por docentes, como ineficiente.

Na Saúde, Dermilson Chagas denunciou diversas irregularidades com contratos, dentre eles o da empresa que realizou a reforma geral no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, que, no primeiro dia de chuva, teve seus forros desabados, causando alagações em diversas alas do hospital. Além disso, o parlamentar denunciou, por meio de ações, tanto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) quanto ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), o superfaturamento nesse contrato, em especial o da compra de condicionadores de ar.

Além disso, ele citou o estado de abandono de diversas unidades de saúde, como a Policlínica Cardoso Fontes, que está imunda, totalmente contaminada pelo bacilo de Koch, causador da tuberculose, e com máquinas e aparelhos danificados. Dermilson Chagas criticou esse descaso porque o Amazonas é, pelo quarto ano consecutivo, o estado com o maior número de casos de tuberculose no Brasil.

Na área de Infraestrutura, Dermilson Chagas denunciou que a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) não está pavimentando os ramais como o Governo vem afirmando. Ele também enfatizou que todas as obras que Wilson Lima vem anunciando como ações de sua administração são, na verdade, obras idealizadas e iniciadas nas gestões de Eduardo Braga, Omar Aziz, José Melo e Amazonino Mendes.