É falso que Exército tenha apreendido madeira ilegal ligada a ONGs e MST

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PODER360 – É falso que o fundador de uma ONG ligada à proteção ambiental na região amazônica seja dono de 1 carregamento ilegal de madeira apreendido pelo Exército no Pará. As afirmações circulam em uma série de postagens virais no Twitter e no Facebook. Também é detalhado nas publicações que a entidade estaria ligada ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-PA).

O Exército informou que divulga as operações no site oficial e não há registros de nenhuma apreensão de madeira recente nas condições descritas pelas publicações verificadas pelo Comprova.

Na busca, no site oficial, pelos conteúdos relacionados à operação, estão listadas algumas ações conjuntas no Pará –todas ligadas ao combate à extração ilegal de madeira–, mas não há menção à suposta ligação ao MST ou a ONGs de preservação ambiental. O Exército não divulga esse tipo de informação.

O Comprova perguntou especificamente sobre as alegações feitas no tuíte e nos posts verificados, mas a assessoria de imprensa não forneceu esses detalhes. No Facebook, o boato foi compartilhado em algumas postagens com uma foto que mostra caminhões carregados com toras de madeira. A imagem, no entanto, é de 2015, e foi reproduzida em outras postagens nos anos posteriores.

A alegação falsa sobre a apreensão de madeiras pelo Exército também foi compartilhada em postagens com acusações ao marido da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, Fábio Vaz de Lima. Os posts reciclam 1 boato de que Lima seria “um dos maiores desmatadores da Amazônia”. O rumor foi desmentido pelo Comprova em 2018.

O MST também nega qualquer ligação com madeireiras. O Comprova desmentiu uma postagem que afirmava que 1 dos fundadores do movimento, João Pedro Stédile, estaria sendo investigado pela Polícia Federal por envolvimento em queimadas. Não há registro que tal investigação exista.

Leia o passo a passo da verificação neste artigo do Projeto Comprova.

POR QUE INVESTIGAMOS?

Em sua 3ª fase, o Comprova verifica postagens suspeitas que tenham viralizado nas redes sociais que tenham ligação com políticas públicas do governo federal ou com a pandemia do novo coronavírus.

O tuíte analisado aqui teve mais de 16,9 mil interações desde o dia 5 de outubro. A informação falsa foi reproduzida em postagens no Facebook, onde ganhou mais de 1,3 mil compartilhamentos.

A preservação da floresta amazônica é 1 dos maiores desafios para o governo — 1 estudo publicado na revista Science Advance indica que, se o desmatamento atingir 20% da bacia Amazônica, atingiremos 1 ponto irreversível de savanização do bioma. Atualmente, 17% da floresta já foi desmatada.

Os sites Aos Fatos, E-Farsas e Lupa também publicaram verificações semelhantes.

O Comprova já checou vários conteúdos relacionados à Amazônia, a ONGs e ao MST. Na semana passada, mostramos que não havia provas de que o MST tivesse relação com as queimadas na Amazônia ou no Pantanal. Outros exemplos incluem uma verificação sobre 1 vídeo lançado pela Associação de Criadores do Pará que afirma que a Amazônia não está queimando e outra sobre postagem que afirmam que indígenas prenderam em flagrante integrantes de ONGs que seriam incendiários.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.