Em audiência, Zé Ricardo cobra empenho nas investigações dos casos suspeitos de Rabdomiólise e esclarecimento à população sobre o assunto

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A Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (Cindra), da Câmara dos Deputados, realizou ontem (29) a Audiência Pública sobre o tema Síndrome de Haff (Doença da Urina Preta ou Rabdomiólise) e queda do consumo de pescado no Amazonas e Pará. Durante a Audiência, a representante da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) afirmou que houve 91 casos suspeitos da doença, 37 descartados e 54 ainda em investigação. Ou seja, até o momento, nenhum caso confirmado de Rabdomiólise. Diante da afirmação, o deputado federal Zé Ricardo (PT/AM), que é autor do debate, juntamente com o deputado Airton Faleiro (PT/PA), questionou a falta de informação à população, que não sabe o que fazer com relação ao consumo do pescado, bem como cobrou o resultado das investigações.

Zé Ricardo lembrou ainda que já havia questionado no início deste mês, via ofício, à Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) e a FVS do Estado do Amazonas, inclusive, cobrando medidas urgentes de investigação e orientação para impedir novas ondas de contaminações, que têm afetado a vida da população ribeirinha, dos pescadores, dos feirantes e a economia do Amazonas e agora também do Pará.

Ele também cobrou empenho da FVS nas investigações. “É importante que os órgãos sanitários e de vigilância concluam o quanto antes essas investigações para orientar e dar tranquilidade à população. Hoje, ainda há medo no consumo do pescado, sobretudo, do pacu, do tambaqui e da pirapitinga. Por isso, justifica-se fazer esse debate com seriedade. Qual a orientação para todos e todas? Continuar evitando o consumo de peixe? E qual peixe pode-se consumir? De viveiro? É preciso ter respostas rápidas, porque esse problema afeta a saúde e a vida das pessoas, do comércio e da economia”, declarou Zé Ricardo, reforçando aos órgãos sanitários a necessidade de campanhas de manipulação correta de alimentos, para evitar novos casos e mortes, já que o pescado é a principal fonte de proteína da população amazônica e ribeirinha.

Para o Secretário de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Jairo Gund, o Órgão vê com preocupação essa situação, no entanto não tem muitas informações sobre o assunto. E destacou que o Mapa não é autoridade competente para tratar de saúde pública. E lamentou que essa crise tenha ocorrido justamente no período em que o setor produtivo estava na 18ª edição da semana do pescado, evento que ocorre em Setembro, para incentivar o país a consumir mais pescados.

Questionados sobre os direitos dos pescadores afetados pela diminuição e proibição da venda de pescado devido à doença, o diretor de benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), José Carlos Oliveira, afirmou que o instituto está estudando a possibilidade de um seguro defeso para os pescadores que foram atingidos pelo surto de ocorrência da doença de Haff, o qual, em alguns municípios foi suspenso o consumo de pescados, do mesmo modo que ocorreu no período de derramamento de óleo no nordeste, em 2020, o qual o INSS, concedeu um auxílio para os pescadores da região.

Para o professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), David Gibbs, é preciso uma politica de controle e monitoramento do pescado comercializado, uma vez que, problemas com consumo deste produto, é antigo e precisa de mais atenção para e cuidados com o manuseio nas feiras e mercados, como ainda valorização dos pescadores e do setor. “Esperamos que essa doença sirva como alerta para cuidar melhor do nosso pescado e solucionar definitivamente os problemas que o setor enfrenta”, destacou.

Para o coordenador do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Oeste do Pará e Baixo Amazonas, Manoel Pinheiro, essa nova crise sanitária afetou fortemente a categoria e tem feito com que os pescadores sintam os prejuízos relacionados à doença. “Todo mundo perde com isso, em especial nossos pescadores que dependem dessa renda, mas os nossos comerciantes também, pois quem leva o peixe, leva a farinha, as verduras, o arroz. Por isso, estamos lutando por auxílio e compensação, como ainda pela antecipação do Seguro Defeso, para amenizar os impactos econômicos que esses trabalhadores estão enfrentando devido à suposta doença de Haff”, disse Manoel.