Peugeot é investigada na França por ‘Dieselgate’, após Renault e Volkswagen

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Depois da Volkswagen em maio e da Renault na terça-feira, a Peugeot foi colocada sob investigação nesta quarta-feira (10) por “fraude” na França em meio ao escândalo “Dieselgate”, desbloqueando assim um dossiê que estava paralisado há anos e que também poderia levar à acusação da Citroën e da Fiat-Chrysler.

Em nota, a Stellantis, empresa-mãe da Peugeot, anunciou a investigação de sua subsidiária por “alegações de fraude ao consumidor em conexão com a venda de veículos a diesel nível Euro 5 na França, entre 2009 e 2015”.

“As empresas acreditam firmemente que seus sistemas de controle de emissões atenderam a todos os requisitos aplicáveis no período avaliado e no presente e aguardam a oportunidade de demonstrar isso”, acrescentou o grupo.

Uma fonte judicial confirmou na quarta-feira a investigação da Peugeot por “fraude que representa um perigo para a saúde humana ou animal”.

Um relatório da Direção Geral de Concorrência, Consumo e Repressão à Fraude (DGCCRF), enviado à Justiça em fevereiro de 2017, menciona uma “estratégia global destinada a fabricar motores fraudulentos e, posteriormente, comercializá-los”.

Segundo os investigadores, a PSA (Peugeot-Citroën) vendeu entre setembro de 2009 e setembro de 2015 na França cerca de 1,9 milhão de veículos a diesel da geração Euro5 (norma em vigor até 2015), “cujo motor funciona segundo estratégias fraudulentas”.

Diante das violações constatadas, a DGCCRF calculou que a empresa incorria em uma multa de até 5 bilhões de euros (6 bilhões de dólares).

– Em Paris e Berlim –

Uma quantia muito alta, mas quatro vezes menor que a multa máxima de 19,7 bilhões de euros (24 bilhões de dólares), avaliada pela DGCCRF para o grupo Volkswagen.

O fabricante foi imputado em 6 de maio por “fraude em relação às qualidades substanciais de uma mercadoria que representa um perigo para a saúde humana ou animal”, disse uma fonte judicial à AFP.

O gigante alemão reagiu na quarta-feira de sua imputação na França em um comunicado no qual contesta que haveria “prejuízo” para os consumidores no país.

Ao mesmo tempo, o ex-CEO da Volkswagen, Martin Winterkorn, foi acusado de falso testemunho na Alemanha perante uma comissão parlamentar de inquérito sobre o escândalo de motores fraudados, de acordo com a procuradoria alemã.

O Dieselgate já custou à Volkswagen 30 bilhões de euros (36,5 bilhões de dólares), principalmente nos Estados Unidos, onde o grupo alemão se declarou culpado de fraude em 2017.

Em 2015, a Volkswagen reconheceu ter equipado 11 milhões de seus veículos a diesel com um software capaz de esconder as emissões, que às vezes excedem em 40 vezes os padrões permitidos. Desde então, as vendas de carros a diesel despencaram.

– Citroën e Fiat? –

Além das acusações formais, todas estas empresas estão sujeitas a um controle judicial acompanhado de grandes garantias para o eventual pagamento de indenizações e multas: até 20 milhões de euros (24 milhões de dólares) no caso da Renault, e fortes garantias bancárias para indenização por possíveis danos de até 60 milhões de euros (73 milhões de dólares) para a Renault e a Volkswagen.

“Todos os elementos parecem confirmar as infrações cometidas pelos diferentes fabricantes. Os proprietários dos veículos prejudicados não entendem por que não é feito um julgamento o mais rápido possível”, reagiu nesta quarta-feira François Lafforgue, advogado das associações “Ecologie sans frontières”,”Respire” e cerca de cem proprietários de veículos.

O Dieselgate é o tema de vários relatórios legais na França. As investigações sobre esse escândalo foram travadas por muito tempo por uma batalha judicial no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).

Na terça-feira, a Renault foi a primeira a anunciar que havia sido acusada. Estão na lista vários outros alvos possíveis, como a Citroën e a Fiat-Chrysler, também pertencente ao grupo Stellantis.

A acusação é uma etapa preliminar para um possível processo na França.