Há 2 anos, Jornal A Crítica denunciava gestão David Almeida de pagar R$ 8,4 milhões à Imed por cirurgias não realizadas

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No dia 12 de novembro de 2017, há exatos dois anos, o jornal A Crítica denunciava que o governo interino David Almeida estava atolado no mais profundo lodaçal de corrupção em tão poucos dias de gestão.

À época, dizia o jornal que o mandatário interino do estado teria contratado o Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed) por R$ 8,4 milhões para realização de cirurgias no Amazonas.

De acordo com o jornal, de 2.340 cirurgias, contratadas sem o devido processo licitatório, apenas 1.030 procedimentos cirúrgico foram realizados.

Ainda no mesmo ritmo, o jornal A Crítica revelou que irmão do então governador interino foi flagrado em uma gravação de áudio divulgado nas redes sociais impondo pressão a um dirigente de um instituto que denunciou o suposto sobrepreço nas cirurgias.

“O Instituto paralisou as cirurgias e exigiu que o Estado repasse o pagamento das despesas. Ocorre que, no apagar das luzes, o secretário estadual de Saúde da época, Vander Alves, confeccionou um termo aditivo com o Imed um dia após a cerimônia de diplomação do governador eleito, Amazonino Mendes (PDT)”, sublinhou o jornal.

O aditivo, assinado no dia 3 de outubro e publicado no Diário Oficial de 5 do mesmo mês, alterava o objeto do contrato, modificando os tipos de cirurgias, disse A Crítica na sua edição de 12 de novembro de 2017.

Na tentativa desesperadora de uma saída para o escândalo, David Almeida disse, à época, que as cirurgias não foram realizadas porque muitos pacientes que estavam no sistema não precisavam mais realizar o procedimento e que outros estavam com exames pré-operatórios vencidos e que por isso precisaram refazer os exames.

“Esse contrato vence dia 11, mas pode ser prorrogado por mais 30 dias. Porque não deu para fazer todas as cirurgias? Porque o Sisreg tinha oito mil pessoas na fila para fazer as cirurgias, e quando foram fazer a consulta aquilo que o Sisreg colocou como cirurgia não precisava mais, o que caiu para 4.800 quase 5 mil e nós contratamos 2.340 cirurgias, e essas pessoas que estavam aguardando as cirurgias estavam com os exames vencidos, e nós começaram a refazer todos os exames”, disse Almeida.

Denúncia de superfaturamento

O contrato com o Imed foi denunciado no dia 15 de agosto. O secretário estadual de Saúde de David Almeida, Vander Alves, teria pago para o instituto, que administra o hospital Delphina Aziz, cerca de R$ 8,4 milhões por 780 cirurgias, o que daria em torno de R$ 10 mil por procedimento.

No dia 17 de agosto, o Ministério Público de Contas (MPC) e o Ministério Público do Estadual (MP-AM) começaram a investigar a denúncia do suposto superfaturamento.

Um dia após a denúncia um áudio divulgado no WhatsApp mostrava uma pessoa identificada como irmão de David Almeida, Daniel Almeida, pressionando a diretora do Instituto Gente Amazônica (Igam), Maria Menezes, que denunciou o superfaturamento de cirurgias no hospital Delphina Aziz.

Daniel, no áudio, questiona o fato de Maria ter exposto o caso nos jornais. “O Vander (Alves, secretário de Estado da Saúde) quer brincar com coisas sérias. Eu tentei conversar. Isso não se faz. Nós temos a população morrendo e o cara tá superfaturando R$ 10 mil por cirurgia. Você acha certo isso?”, responde a empresária.

Daniel rebateu afirmando que ao divulgar o caso, Maria expôs seu irmão – o então governador David Almeida. “Mana, mas você me colocou numa situação difícil, Maria. Eu que te levei lá”, disse. Maria então faz um alerta: “E se ele não parar de emitir notas mentirosas vai piorar. Outra coisa, lá na Seduc o Mário foi querer proibir a minha entrada. A sua irmã apareceu lá para proibir tudo do Igam. Isso não se faz, Daniel. É um direito do Instituto não compactuar com coisa desse tipo”, afirmou.