Mandetta abre CPI da Covid-19 nesta terça expondo negacionismo de Bolsonaro e obsessão pela reeleição

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O depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta estreará nesta terça-feira, 4 de maio, uma das maiores provas de fogo que o presidente Jair Bolsonaro enfrentará na CPI da Covid-19 no Senado.

Político experiente, Mandetta tenta se cacifar para concorrer às próximas eleições presidenciais e espera-se dele um dos tons mais críticos com potencial de gerar constrangimento ao presidente.

As outras três pessoas que comandaram a pasta durante a crise sanitária ―Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga― também serão ouvidas ao longo da semana. Apesar de Mandetta, demitido pelo presidente após um processo de fritura pública em abril do ano passado, já ter explorado suas divergências no Planalto, não se descarta que ele ainda esconda algumas cartas na manga.

Alguns dos momentos mais controversos já foram levados a público no livro que publicou no ano passado sobre os 90 dias em que comandou a gestão da pandemia no ministério.

Do negacionismo às teorias da conspiração de que o vírus seria uma criação da China abraçados por Bolsonaro, Mandetta narrou os bastidores que levaram a cloroquina, um medicamento sem eficácia contra a covid-19, a virar a bala de prata do Governo. Também externou as tentativas de interferência em altos cargos da pasta (com tentativa de influência, segundo ele, do senador Flávio Bolsonaro:

“Quem articulou as exonerações e impôs os novos nomes mirava o controle de mais de 80% do orçamento do Ministério da Saúde” ) e alertou sobre a fragilidade do sistema de saúde em algumas regiões do país, como Manaus, que no início deste ano viu pessoas morrerem asfixiadas pela falta de oxigênio para tratar a covid-19. Chegou a conversar com o presidente e pessoas próximas a ele sobre o perigo de desassistência, caso não fossem tomadas medidas enérgicas. “Já estávamos ali [no início da crise] preocupados com Manaus, por exemplo, que tem um sistema de saúde limitado”, relata no livro. Por conta da crise de oxigênio na capital amazonense durante a gestão de Pazuello, o general tem sido orientado pelo Planalto sobre seu depoimento no Senado para tentar comprometer o mínimo possível o presidente Bolsonaro.

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