Wilson Lima afirma em vídeo que é o principal interessado que a PF esclareça os fatos, mas pede ao STF para não depor ou ficar calado na CPI’, argumenta Dermilson Chagas

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O deputado Dermilson Chagas (Podemos) questionou, na manhã desta quarta-feira (9/6), no Plenário Ruy Araújo, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o fato de o governador do estado, Wilson Lima, ter dito, em um vídeo divulgado pelo WhatsApp, no último dia 2, que ele é o principal interessado que a Polícia Federal esclareça todos os fatos investigados na quarta fase da operação Sangria, mas, que se contradisse, ao entrar, ontem (8/6), com um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para não depor na CPI da Covid-19 ou ter o direito de permanecer calado.

A quarta fase da operação Sangria investiga fraudes à licitação, desvio de recursos públicos e participação de servidores públicos e empresários em organização criminosa. O principal alvo desta fase da investigação é o contrato para instalação do hospital de campanha no hospital Nilton Lins. A CPI da Covid-19 em andamento no Senado foi proposta pelo senador Randolfe Rodrigues, do Amapá, logo após a crise de desabastecimento de oxigênio e da falta de leitos hospitalares no estado do Amazonas, que causou a morte de várias pessoas. A CPI também investiga omissões do Governo Federal frente ao combate à pandemia no país.

“Através do seu celular, o governador diz que não deve nada a ninguém e que não tem o que esconder. Mas as suas ações falam o contrário. Já que ele não deve nada a ninguém e ele mesmo faz questão de dizer em todos os cantos deste Estado que não deve nada a ninguém, por que ele quer correr da CPI? Ele está com medo do quê? Essas noticiazinhas que ele está colocando nas redes sociais dizendo que não sabia da falta de oxigênio, a White Martins já havia informado o Governo com antecedência. E agora ele procura o STF para não comparecer na CPI ou para poder ficar calado?”, indagou Dermilson Chagas.

Veja o que Wilson Lima diz no vídeo

“Vim aqui para falar sobre a operação que aconteceu hoje no Estado do Amazonas. Eu sou o principal interessado em que esses fatos possam logo ser esclarecidos. Não há nenhuma prova contra mim, de que pratiquei qualquer ato de ilegalidade ou que me beneficiei de alguma forma de recursos públicos. Eu tenho plena convicção da minha inocência e confio totalmente no trabalho da Justiça e tenho certeza de que no final dessas investigações a verdade irá prevalecer”.

Advogado de clientes notórios

O salário líquido do governador do Amazonas é R$ 33.258,52, mas, apesar dessa limitação na sua fonte de renda, Wilson Lima contratou o advogado Nabor Bulhões, ex-presidente seccional da OAB/DF e que já defendeu, entre outros clientes notórios, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, o empresário Paulo César Farias, mais conhecido como PC Farias, e o empresário Marcelo Odebrechtj. Ele também atuou na Itália no caso Cesar Battisti, escritor italiano que era ativista do Proletários Armados pelo Comunismo, que foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios.

“Quanto foi que o Nabor Bulhões cobrou para fazer essa peça?”, questionou Dermilson Chagas, referindo-se ao pedido do habeas corpus preventivo encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Menos de R$ 2 milhões eu tenho certeza de que não foi. Como o Wilson Lima, que ganha menos de R$ 35 mil, consegue pagar um advogado desse porte?”, indagou o parlamentar.

Dermilson Chagas disse que o governador Wilson Lima tem a obrigação moral de dar transparência para a população sobre os pagamentos dos honorários do escritório de advocacia que contratou para defendê-lo. Ele também disse que irá peticionar para que ele publique a sua declaração de Imposto de Renda.

“Quem é a empresa que está pagando o advogado de Wilson Lima? Porque do bolso dele, não sai. Eu vou peticionar para ele publicar o Imposto de Renda dele para saber se está declarada essa despesa com advogado. Ele, como governador, tem a obrigação de informar o seu Imposto de Renda porque é preciso que seja dada transparência para a origem do dinheiro que está realizando esse pagamento. De onde vem o dinheiro para pagar o advogado que o Wilson está usando em Brasília? Eu conversei com várias pessoas da Defensoria Pública e elas me disseram que esse advogado não saiu por menos de R$ 2 milhões”.

Impeachment do governador e explicações da SSP-AM

Dermilson Chagas voltou a cobrar da Aleam o impeachment de Wilson Lima porque todos os graves fatos ocorridos na sua gestão comprovam que sua permanência no cargo é insustentável, especialmente agora que existe uma crise na Segurança Pública que foi posta em xeque pelo crime organizado. Ele também reiterou o seu pedido para o afastamento de toda a cúpula da Segurança Pública, que se mostrou ineficaz no combate às ações terroristas dos traficantes.

O parlamentar também pediu que fosse estabelecida uma data para a ida do secretário de Segurança Pública do Amazonas, coronel Louismar Bonates, ao Plenário Ruy Araújo, para que ele tire várias dúvidas dos deputados e esclareça vários questionamentos sobre as falhas que a sociedade amazonense percebeu durante a onda de ataques do crime organizado a prédios públicos, agências bancárias, depredação de veículos particulares e públicos, além de assaltos em via pública.

Ficou decidido na sessão plenária desta quarta-feira que a presença do secretário na Aleam será feita por convite e não por convocação, como foi proposto originalmente pelo deputado Dermilson Chagas, e a data será anunciada amanhã (quinta-feira – 10/6).