Na ONU, Bolsonaro diz que Brasil é vítima de desinformação ambiental

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Em seu 2º discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Jair Bolsonaro declarou nesta 3ª feira (22.set.2020) que o Brasil é “vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”. As regiões registram sucessivos aumentos das queimadas.

De acordo com Bolsonaro, a campanha é “escorada em interesses escusos” de organizações internacionais “que se unem a associações brasileiras” interessadas em prejudicar o seu governo.

“A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”, afirmou.

Por causa da pandemia da covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus), esta foi a 1ª vez na história em que os chefes de Estado não se encontraram pessoalmente. O discurso de Bolsonaro foi exibido em vídeo, gravado em 16 de setembro. Foi o 1º a ser exibido, conforme a tradição da instituição.

O presidente afirmou que a Amazônia e o Pantanal brasileiro são florestas “úmidas” que não permitem propagação do fogo. Por isso, segundo ele, quem provoca queimadas é o “índio” e o “caboclo” em “áreas já desmatadas”. No entanto, regiões delimitadas a indígenas são as mais preservadas.

“Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas”, disse.

Bolsonaro falou que o país foi “vítima” de 1 derrame “criminoso” de óleo venezuelano que atingiu quase todo o litoral brasileiro no ano passado.

“Em 2019, o Brasil foi vítima de 1 criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle, acarretando severos danos ao meio ambiente e sérios prejuízos nas atividades de pesca e turismo”, disse.

O presidente também destacou as ações do governo federal no combate à pandemia. Disse que tratou, desde o início, e de forma igualmente importante, sobre o desemprego e a saúde

Assista ao discurso de Bolsonaro (14min49seg)

 

 

Poder360 separou os assuntos da fala presidencial, que durou 14 minutos e 29 segundos. Leia mais abaixo os principais trechos ou clique aqui para ler à íntegra do discurso.

  • Pandemia“Desde o princípio, alertei, em meu país, que tínhamos 2 problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade.”
  • Isolamento social“Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada 1 dos 27 governadores das unidades da Federação. Ao Presidente, coube o envio de recursos e meios a todo o País.”
  • Auxílio emergencial[Nosso governo] concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente 1000 dólares para 65 milhões de pessoas, o maior programa de assistência aos mais pobres no Brasil e talvez 1 dos maiores do mundo.”
  • Agronegócio“No Brasil, apesar da crise mundial, a produção rural não parou. O homem do campo trabalhou como nunca, produziu, como sempre, alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas. O Brasil contribuiu para que o mundo continuasse alimentado.”
  • Amazônia“A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil.”
  • Preservação“Somos líderes em conservação de florestas tropicais. Temos a matriz energética mais limpa e diversificada do mundo. Mesmo sendo uma das 10 maiores economias do mundo, somos responsáveis por apenas 3% da emissão de carbono.”
  • Queimadas“Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas.”
  • Regularização fundiária: “Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação. Mantenho minha política de tolerância zero com o crime ambiental. Juntamente com o Congresso Nacional, buscamos a regularização fundiária, visando identificar os autores desses crimes.”
  • Mercado de carbono“Nessa linha, o Brasil se esforçou na COP25 em Madri para regulamentar os artigos do Acordo de Paris que permitiriam o estabelecimento efetivo do mercado de carbono internacional. Infelizmente, fomos vencidos pelo protecionismo.”
  • Óleo no litoral“Em 2019, o Brasil foi vítima de 1 criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle, acarretando severos danos ao meio ambiente e sérios prejuízos nas atividades de pesca e turismo.”
  • Venezuela“Não é só na preservação ambiental que o país se destaca. No campo humanitário e dos direitos humanos, o Brasil vem sendo referência internacional pelo compromisso e pela dedicação no apoio prestado aos refugiados venezuelanos, que chegam ao Brasil a partir da fronteira no estado de Roraima. A Operação Acolhida, encabeçada pelo Ministério da Defesa, recebeu quase 400 mil venezuelanos deslocados devido à grave crise político-econômica gerada pela ditadura bolivariana.”
  • Direitos Humanos“A cooperação entre os povos não pode estar dissociada da liberdade. O Brasil tem os princípios da paz, cooperação e prevalência dos direitos humanos inscritos em sua própria Constituição, e tradicionalmente contribui, na prática, para a consecução desses objetivos.”
  • Comércio“Estamos igualmente próximos do início do processo oficial de acessão do Brasil à OCDE. Por isso, já adotamos as práticas mundiais mais elevadas em todas as áreas, desde a regulação financeira até os domínios da segurança digital e da proteção ambiental.”
  • Reformas“No meu primeiro ano de governo, concluímos a reforma da previdência e, recentemente, apresentamos ao Congresso Nacional duas novas reformas: a do sistema tributário e a administrativa.”
  • “Liberdade”“Faço 1 apelo a toda a comunidade internacional pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia. Também quero reafirmar minha solidariedade e apoio ao povo do Líbano pelas recentes adversidades sofridas. Cremos que o momento é propício para trabalharmos pela abertura de novos horizontes, muito mais otimistas para o futuro do Oriente Médio.”

BOLSONARO ASSISTE O DISCURSO

O presidente reuniu no Palácio do Planalto ministros e aliados para assistir o discurso.

Estavam presentes:

  • ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores);
  • ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo)
  • ministro Fábio Faria (Comunicações);
  • ministro Paulo Guedes (Economia);
  • deputado Ricardo Barros (PP-PR);
  • deputado Arthur Lira (PP-AL);
  • senador Márcio Bittar (MDB-AC);
  • senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ);
  • senador Eduardo Gomes (MDB-TO);
  • senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

Eis uma foto publicada no Twitter pelo ministro Luiz Ramos:

Da esq. para dir.:O senador Márcio Bittar (MDB-AC), ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores), ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), deputado Ricardo Barros (PP-PR), deputado Arthur Lira (PP-AL), senador Eduardo Gomes (MDB-TO), presidente Jair Bolsonaro, ministro Paulo Guedes (Economia) e senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Mais atrás está o ministro Fábio Faria (Comunicações)Reprodução/Twitter – 22.set.2020

O 1º DISCURSO DO PRESIDENTE

Na 1ª vez em que discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, há exatamente 1 ano, Bolsonaro criticou o socialismo, Cuba e governos que antecederam o seu. Falou de economia, acordos comerciais internacionais e Amazônia. Disse que não vai demarcar mais terras indígenas. Citou o então ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Assista à íntegra do 1º discurso do presidente Jair Bolsonaro (31min34seg):

 

 

Poder360 separou os assuntos da fala presidencial, que durou 31 minutos. Leia abaixo os principais pontos –ou clique aqui (259 KB) para ter acesso à íntegra do discurso, realizado no dia 24 de setembro de 2019:

  • Socialismo – “Meu país esteve muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade e de ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que formam nossas tradições”;
  • Mais Médicos – “Em 2013, 1 acordo entre o governo petista e a ditadura cubana trouxe ao Brasil 10 mil médicos sem nenhuma comprovação profissional. Foram impedidos de trazer cônjuges e filhos, tiveram 75% de seus salários confiscados pelo regime e foram impedidos de usufruir de direitos fundamentais”;
  • “Infiltrados cubanos” – “A história nos mostra que, já nos anos 60, agentes cubanos foram enviados a diversos países para colaborar com a implementação de ditaduras. Há poucas décadas tentaram mudar o regime brasileiro e de outros países da América Latina”;
  • Cubanos em Vezenuela – “Na Venezuela, esses agentes do regime cubano, levados por Hugo Chávez, também chegaram e hoje são aproximadamente 60 mil, que controlam e interferem em todas as áreas da sociedade local, principalmente na Inteligência e na Defesa”;
  • Foro de São Paulo – “O Foro de São Paulo, organização criminosa criada em 1990 por Fidel Castro, Lula e Hugo Chávez para difundir e implementar o socialismo na América Latina, ainda continua vivo e tem que ser combatido”;
  • Economia – “Não pode haver liberdade política sem que haja também liberdade econômica. E vice-versa. O livre mercado, as concessões e as privatizações já se fazem presentes hoje no Brasil”;
  • Acordos comerciais –  “Concluímos os 2 maiores acordos comerciais da história do país, firmados entre o Mercosul e a União Europeia e entre o Mercosul e a Área Europeia de Livre Comércio, o EFTA. (…) Estamos prontos também para iniciar nosso processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”;
  • Amazônia – “Problemas, qualquer país os tem. Contudo, os ataques sensacionalistas que sofremos por grande parte da mídia internacional devido aos focos de incêndio na Amazônia despertaram nosso sentimento patriótico”;
  • Soberania – “Um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista. Questionaram aquilo que nos é mais sagrado: a nossa soberania!”;
  • Donald Trump – “Um deles por ocasião do encontro do G7 ousou sugerir aplicar sanções ao Brasil, sem sequer nos ouvir. Agradeço àqueles que não aceitaram levar adiante essa absurda proposta. Em especial, ao presidente Donald Trump.”
  • Terras indígenas – “Hoje, 14% do território brasileiro está demarcado como terra indígena, mas é preciso entender que nossos nativos são seres humanos, exatamente como qualquer 1 de nós. Quero deixar claro: o Brasil não vai aumentar para 20% sua área já demarcada”;
  • Cacique Raoni – “A visão de 1 líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros. Muitas vezes alguns desses líderes, como o Cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia”;
  • Defesa de liberdades – “O Brasil reafirma seu compromisso intransigente com os mais altos padrões de direitos humanos, com a defesa da democracia e da liberdade, de expressão, religiosa e de imprensa”;
  • “Terroristas” – “Em meu governo, o terrorista italiano Cesare Battisti fugiu do Brasil, foi preso na Bolívia e extraditado para a Itália. Outros 3 terroristas paraguaios e 1 chileno, que viviam no Brasil como refugiados políticos, também foram devolvidos a seus países. Terroristas sob o disfarce de perseguidos políticos não mais encontrarão refúgio no Brasil”;
  • Sergio Moro – “Há pouco, presidentes socialistas que me antecederam desviaram centenas de bilhões de dólares comprando parte da mídia e do parlamento. (…) Foram julgados e punidos graças ao patriotismo, perseverança e coragem de um juiz que é símbolo no meu país, o Dr. Sérgio Moro, nosso atual Ministro da Justiça e Segurança Pública”;
  • Exigência de vistos – “Acabamos de estender a isenção de vistos para países como Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá, e estamos estudando adotar medidas similares para China e Índia, dentre outros”;
  • Religião – “É inadmissível que, em pleno século 21, com tantos instrumentos, tratados e organismos com a finalidade de resguardar direitos de todo tipo e de toda sorte, ainda haja milhões de cristãos e pessoas de outras religiões que perdem sua vida ou sua liberdade em razão de sua fé”;
  • Citação bíblica – “Nas questões do clima, da democracia, dos direitos humanos, da igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, e em tantas outras, tudo o que precisamos é isto: contemplar a verdade, seguindo João 8,32: – ‘E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’”;
  • Ideologia de gênero – “A ideologia se instalou no terreno da cultura, da educação e da mídia, dominando meios de comunicação, universidades e escolas. (…) Tentam ainda destruir a inocência de nossas crianças, pervertendo até mesmo sua identidade mais básica e elementar, a biológica.

 

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